Made In Heaven

A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista.

Archive for Julho 2007

Tenho o pescoço muito grande. Só é pena que não me lembre disso quando preciso pensar mais alto. É glória, com os pés bem assentes no chão, lamber a borda do telhado. Mas nem é preciso tanto para ser tão baixo.
O problema não está na forma como não gosto do que escrevo, nem no facto de não fazer sentido, podendo a música lá fora me deixar a cabeça a latejar, ou não. Nem sequer na caneta azul e não na preta. Na caligrafia desalinhada, nem na superfície. O problema está na guerra que vai nos cravos da revolução.
Três pontos! Mais uma folha de papel em branco.

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Written by meph

Julho 31, 2007 at 2:59 am

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Head Shot!

Entre sentir na terceira pessoa, por mais afinidades que se levantem, e sentir na primeira pessoa, mesmo sem qualquer tipo de consciência-existe uma diferença. A forma como nos desesperamos, como nos escorre o suor e como o mundo vai ouvir falar de nós. Por mais horrível que seja a imagem dessa diferença, requer distância. Subindo mais um degrau na escala, requer desprezo. Em contraditório, é necessário ouvir falar de nós, bem ou mal, importa que se fale. Há mais espaço de manobra se apenas se ouvir falar de nós, do que se ouvir falar mal ou bem de nós.
Tocou, tocou, tocou, tocou, tocou… Perdi a conta às vezes que tocou, tocou, tocou… Tinha planeado tudo de forma a cortar-te a respiração. Não quiseste ouvir falar de nós.
E é precisamente em função dessa imagem, que agem os mais fracos. Os mais fracos na primeira pessoa, assim como os mais fracos na terceira pessoa.

Written by meph

Julho 28, 2007 at 9:10 am

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"Why Angels Cry"

O sol batia-me na cara como que se me iluminasse as ideias e reflectia em todos os vidros à volta, provavelmente um atractivo para que todos olhassem a sua imagem. Lembro-me de ter pensado que podia sentir, mais uma vez, um motivo que unia tanta gente, desconhecida entre si, ao mesmo tempo, mas que só eu descernia tal. Dava qualquer coisa para compartilhar aquele pensamento com alguém que franzisse a sobrancelha ao olhar-se num daqueles espelhos. Tanto, que o caminho pra casa podia ser bem mais curto.
Já o chão se tinha fartado de me beijar os joelhos e ainda não tinha tido o pouco que faltava da grande coragem que precisava para me confessar. Há muito, precisei de o fazer. Naquele momento precisava de sentir que o tinha feito. Sentia que não podia esperar mais. O meu joelho se tinha dobrado e a minha lingua estava pronta para confessar, mas algo não permitia. Nem me conseguia concentrar, nem conseguia dali sair. Quem passasse e observasse aquela cena, só não percebia que estava dividido entre buscar coragem para confessar o assunto e as mil e uma maneiras de o fazer, se nunca tivesse tido necessidade antes de o fazer. Tentei buscar coragem por exemplo a Fernando Pessoa!
Não me dava conta do que se passava à minha volta sequer, apenas sei que era local de passagem, porque até ali tinha ido pelo meu prório pé e era um lugar que me era particularmente familiar. Esta pequena noção, entre outras tantas da mesma espécie, agora, levam-me a crer que estive tão perto. O facto de não me aperceber do que se passava à minha volta, sendo eu sensível ao cheiro, ao movimento e a qualquer motivo de distração, num momento que seria só meu, seria a única exlicação para ser possível lá chegar não julgando o facto de ser frio e me ter ajoelhado por instinto. Começo daqui porque já me apeteceu antes fazer isto.
Pudesse eu Em Nome de Deus fazer magia!

Written by meph

Julho 26, 2007 at 10:59 am

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Tu não escreves, tu pintas palavras.

És tão transparente que eu ao teu lado olhando pró teu reflexo na água, vejo o meu, e o teu não!

As almas mais atentas talvez já tenham reparado que quando ao lusco-fusco desgastado da nossa idéia conseguimos perceber que estamos a alinhar numa onda nova, há sempre uma outra tentação do outro lado. A qual igualmente nos puxa com a mesma vontade. Há quem se fique por aqui: Nem contigo. Nem sem ti.

Written by meph

Julho 23, 2007 at 10:35 am

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São vidas atormentadas sem uma direcção planeada, à procura de um pequeno objectivo, um pequeno entretenimento e uma escapatória à rotina dos dias, que fazem todo um universo pronto a abraçar uma vitória. Uma alta moral e um ego largo e confortável. Um contraste puro, mais escuro sobre a luz, duma imagem que persiste e ganha força de tão alucinante e envolvente que é. Vidas pequenas, constatemente comparadas e sobrepostas aos seus objectivos, sempre com a noção da realidade a todo o momento. É toda uma desatenção atenta.
Há toda uma possibilidade de enchergar a realidade. Descernir em terceira pessoa o que realmente se passa.
Almas sedentas de diversão e capricho, ansiosas por poder transmitir com efeito, nem que pra isso tenham que comprar um adversário ou até um inimigo.
O melhor inferno ainda é a terra. Pois não há jogo sem regras que se ganhe sem jogar, se é que há jogo sem regras, que se possa ganhar.
É isto que condiciona toda a disposição. A reacção, a resposta ao acto que não está no mesmo caminho, nem que seta tenha alcançado, ou até ao que ainda não foi cometido.
Um laço é só um cúmplice, que alega em confissão legítima defesa ou acto involuntário.
Todo o tempo é pouco para resgatar o que há tempos desapareceu. Ou talvez nem o haja, se tiver morrido.
É mais do que falar sózinho e obter resposta. É poder sentir o cheiro que produz a imaginação.

Written by meph

Julho 21, 2007 at 9:00 pm

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Obtendo eu respostas estudadas e um esquema montado.

Cada passo teu calculado ao milímetro num jogo desigual, sentia eu.
Embora fosses tudo o que eu não era, tivesses tudo o que eu não tinha, pudesses ser o que eu nunca poderia, embora sentisse eu a tua falta, eras tudo.

Só não foste a oportunidade de te mostrar o caminho até mim.

Para quem não voa, .

Já bastava eu a arriscar, jogando pelo seguro!

Num jeito louco, sem limites nem preconceitos.

Foi isso que te assustou?

Qual foi o teu padrão?

Written by meph

Julho 20, 2007 at 2:42 am

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Parece irreversível o caminho que vai da dúvida à perdição. Inevitável. Característico. Associado quase sempre à ideia de sofrimento.

Em pessoas que num determinado momento se vêm sem uma direcção, a forma como se encara pode mudar tudo num instante apenas. Em pessoas esfomeadas de atenção e dum ombro quanto mais largo melhor…

Geralmente há quem se aproxime por interesse, mas a maioria aproxima-se não sabe bem porquê. Há quem diga que a maioria se aproxima porque sente necessidade de se sentir próxima de alguém, não sabendo ao certo o que poderá acontecer. Precisa apenas de preencher um vazio, seja de que maneira for. Um vazio digno de algo específico, mas que muitas vezes acaba por ser preenchido ou dar a sensação que é preenchido, por algo que não era bem o que se estava à espera. Há quem diga que as coisas acontecem, sem o mínimo plano, a mínima noção até de que se está a passar algo diferente.

Passado algum tempo em que várias vezes as pessoas se aproximam e desaproximam umas das outras, são criados hábitos em que a forma de agir começa a ganhar uma forma, um padrão. Padrão esse que independentemente das diferenças entre a forma como as pessoas se voltam a aproximar, se instala cada vez mais enraizado à medida que o tempo passa. E passa tão bem que se vão criando mais e melhores padrões. Ideias fixas, como quiseres chamar. E nem sempre esses padrões são a melhor solução para nos aproximarmos de alguém, nem tão pouco para deixarmos que alguém se aproxime de nós de modo a que tenhamos ali o ombro mais perfeito que podiamos encontrar. Escusado será contextualizar em união!

Suponha-mos que isto é verdade e que a questão é, ser a maioria que faz a força. Logo, há que encontrar uma solução. Há que perceber porque é que nos sentimos tão vazios por vezes. Não nos contentarmos a saber que a vida é mesmo assim, até porque há sempre maneira de ocupar o tempo e o espaço à nossa volta, durante as vinte e quatro horas que tem um dia normal. E ainda pra mais, há sempre maneira de ocuparmos o nosso espaço, ocupando o dos outros. Tudo depende da forma como o fazemos.

Se quando nos relacionamos com alguém, a rede tem tendência a aumentar vertiginosamente, então a cura para os vazios que sentimos pode passar por preenchermos os vazios que os outros que nos são próximos sentem. Um a um, conseguiríamos nos sentir bem mais alegres, ou não?!

Ou as influências que temos sobre os outros não as encaramos como um domínio? Não nos dá prazer influenciar o próximo? Mas é claro. Então façamo-lo de bom grado e com sentido proveitoso, e acabamos sempre por notar algum efeito quando o fazemos.

Quando o sol se pôe, na prática, começa a tornar-se aliciante, viciante, e um ciclo vicioso. Tanto que achamos que nos prodemos profissionalizar na questão, de maneira a que soframos as consequências dessa envolvência. Depois, começamos por notar que já andamos viciados há algum tempo, porque nos primeiros tempos tudo é fascinante e belo. Não há melhor do que viver assim e fazer da vida um jogo em que sentimos que podemos controlar tudo e todos. As nossas mãos imploram uma rédia. Mas quando por vezes reflectimos, por termos batido com a cabeça, que essa sim é uma reflecção ,vemos as coisas de maneira diferente. À medida que vamos reflectindo e vamos tomando consciência que estamos num caminho bidirecional, a tendência é para nos querermos aproximar cada vez mais do outro lado, para que possamos encontrar um equilíbrio. Queremos sentir o que se sente quando se abranda.

Não queremos parar, queremos antes ir parando!

Pergunto-me, depois de reflectir, se haverá o travão perfeito!?

É um jogo perigoso que queremos arriscar a jogar mesmo sabendo que as garantias de uma sobrevivência saudável são poucas ou nenhumas. Dá-mos gozo saber que vamos ficar marcados. Agora não sei se continue fascinado pelas pessoas que geralmente se fecham ou se me revolte por não ser capaz de admitir um fracasso de vez em quando. Mas se o admitisse seria deitar por terraa possibilidade de um dia mais tarde poder chegar onde quero.

Todos nós somos um espelho.

Não é amor, é paixao!

Written by meph

Julho 20, 2007 at 2:40 am

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