Made In Heaven

A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista.


O mesmo de sempre, mas focando mais o abalo que é não perceber certos aspectos relacionados com o que eu considero uma nova oportunidade de vida e até que ponto se relaciona uma escolha que já tem umas certas raízes com as novidades que vão aparecendo…Começa precisamente com aquela calçada imensa, a perder de vista. Com o mar como braço direito e na esquerda a possibilidade de uma escalada arriscada. Um cenário indescritível.
Para mudar de cenário bastava o mar passar para o outro lado. De volta pra casa!
Aquela tarde, de luz, era impossível que não proporcionasse a um espírito pessimista e sofrido a mais bela descontracção. Acabou de um duche rápido à chave de casa no bolso. Tal como todos os dias em que o sol brilhava assim. Era um jantar especial. Iríamos comemorar a presença neste mundo, de uma das melhores pessoas desde há 28 primaveras, e na nossa vida, desde sempre! Estava entusiasmado com o convívio que se adivinhava. Confesso, também me iria libertar do stress do dia a dia, sem poder pisar firme e de uma casa em que ao meio-dia o sol não batia em qualquer parede ou janela. Era também para mim uma oportunidade, das poucas que apareciam, de conviver assim com um conjunto que ocupava apenas um lugar à mesa. Para além destes pequenos prazeres, o ambiente em que me enquadrava sugeria “inspiração”. Deixei que a luz da tarde, na maior das calmas, fosse por reflexo entrando em mim e como !sou a transparência em pessoa!, ao me deixar contagiar, fui contagiando. Senti isso. Senti-me bem. Recebia e dava. Sorria sinceramente, portanto. Bem… passou-se uma noite inesquecível, pelos vistos. Inesquecível também ao ponto em que conheci alguém com quem conversei boa parte da noite e mais tarde, na varanda! Sentimos que podíamos conversar abertamente, tal como ambos gostávamos de fazer e raramente o fazíamos. Da forma que nos dava mais prazer. Entre palavras e tudo mais, percebeu-se que os caminhos eram contrários. Caminhávamos da mesma forma mas em sentidos contrários. Assim se correm certos riscos, mas o mais próximo é o risco de no dia seguinte sentir aquela saudade e a vontade de querer viver certos momentos de novo. Só tinha um pensamento mais consistente em relação a isso… Cá te espero.
Passou algum tempo e como sempre procurava não sabia bem o quê, muito menos onde e nem tão pouco o sentido de oportunidade me piscava o olho. Na minha rotina, sempre diferente, por vezes desesperava um tanto por não conseguir alcançar respostas. Completamente perdido. Era assim que me encontrava. Desespero que não podia durar muito mais tempo, porque por mais rico que estivesse, era debaixo do chão que me sentia. Percebi, quando comecei a ouvir as pessoas lá de cima.

[O que é escrever senão falar com o nosso interior?! Sinceramente tenho um certo receio de poder estar a ressuscitar alguma coisa que morreu faz outro tanto tempo.]

Como sempre, sempre espontâneo, de repente, dou comigo procurando alguém. Alguém que vá-se lá saber porquê nunca percebeu o que era sentir a falta de alguém e nunca escalou, com o mar a braço direito…

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Written by meph

Julho 3, 2007 às 7:37 pm

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