Made In Heaven

A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista.


Todas as noites sonho. Mas nem todas dou por isso.
Questiono-me; estarão nos sonhos das noites em que não dou por isso, as respostas às questões que levanto dos outros?!
De que outra forma conseguiria eu escrever agora sobre o passado, sentindo como se fosse hoje? Vamos fazer disto um diálogo sincero. Uma peça sem ensaio, por exemplo…
Como uma peça que não encaixa à primeira, nem à segunda, nem à terceira…
Então, meses depois arrisquei. Respirei fundo e decidi entrar onde tinha jurado nunca mais por os pés. A sensação foi estranha, não há uma palavra certa que defina como me senti quando pisei o primeiro degrau. Nem o segundo… Quem sabe, se houvesse mais degraus até podia ter uma crise existencial. Mas não, eu tinha respirado fundo.
O cenário era diferente. Tinham feito obras. Àquela hora ao balcão, dava a sensação que não tinha planos, que não tinha ninguém à minha espera. Embora a verdade não fosse totalmente de encontro, gostei da sensação de olharem para mim como se eu fosse outra pessoa. Vi que nada tinha mudado por ali! Nem a minha presença teve grande impacto, nem eu me senti muito diferente do que já me tinha sentido outras vezes. Era apenas estranho tomar consciência de como se quebra uma promessa feita com todo um sentimento de culpa, a alguém que para mim era até ao momento a pessoa mais importante. Eu mesmo!
Achei que devia procurar uma das mesas mais pequenas do canto para me sentar, assim dava a impressão que apesar de o ter, não queria muito espaço à minha volta.
Se a mesa já era pequena, mais encolheu…

Ouvir de novo a tua voz seria matar a sede com água salgada.
(Miguel Torga)

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Written by meph

Julho 8, 2007 às 3:30 am

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