Made In Heaven

A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista.


Parece irreversível o caminho que vai da dúvida à perdição. Inevitável. Característico. Associado quase sempre à ideia de sofrimento.

Em pessoas que num determinado momento se vêm sem uma direcção, a forma como se encara pode mudar tudo num instante apenas. Em pessoas esfomeadas de atenção e dum ombro quanto mais largo melhor…

Geralmente há quem se aproxime por interesse, mas a maioria aproxima-se não sabe bem porquê. Há quem diga que a maioria se aproxima porque sente necessidade de se sentir próxima de alguém, não sabendo ao certo o que poderá acontecer. Precisa apenas de preencher um vazio, seja de que maneira for. Um vazio digno de algo específico, mas que muitas vezes acaba por ser preenchido ou dar a sensação que é preenchido, por algo que não era bem o que se estava à espera. Há quem diga que as coisas acontecem, sem o mínimo plano, a mínima noção até de que se está a passar algo diferente.

Passado algum tempo em que várias vezes as pessoas se aproximam e desaproximam umas das outras, são criados hábitos em que a forma de agir começa a ganhar uma forma, um padrão. Padrão esse que independentemente das diferenças entre a forma como as pessoas se voltam a aproximar, se instala cada vez mais enraizado à medida que o tempo passa. E passa tão bem que se vão criando mais e melhores padrões. Ideias fixas, como quiseres chamar. E nem sempre esses padrões são a melhor solução para nos aproximarmos de alguém, nem tão pouco para deixarmos que alguém se aproxime de nós de modo a que tenhamos ali o ombro mais perfeito que podiamos encontrar. Escusado será contextualizar em união!

Suponha-mos que isto é verdade e que a questão é, ser a maioria que faz a força. Logo, há que encontrar uma solução. Há que perceber porque é que nos sentimos tão vazios por vezes. Não nos contentarmos a saber que a vida é mesmo assim, até porque há sempre maneira de ocupar o tempo e o espaço à nossa volta, durante as vinte e quatro horas que tem um dia normal. E ainda pra mais, há sempre maneira de ocuparmos o nosso espaço, ocupando o dos outros. Tudo depende da forma como o fazemos.

Se quando nos relacionamos com alguém, a rede tem tendência a aumentar vertiginosamente, então a cura para os vazios que sentimos pode passar por preenchermos os vazios que os outros que nos são próximos sentem. Um a um, conseguiríamos nos sentir bem mais alegres, ou não?!

Ou as influências que temos sobre os outros não as encaramos como um domínio? Não nos dá prazer influenciar o próximo? Mas é claro. Então façamo-lo de bom grado e com sentido proveitoso, e acabamos sempre por notar algum efeito quando o fazemos.

Quando o sol se pôe, na prática, começa a tornar-se aliciante, viciante, e um ciclo vicioso. Tanto que achamos que nos prodemos profissionalizar na questão, de maneira a que soframos as consequências dessa envolvência. Depois, começamos por notar que já andamos viciados há algum tempo, porque nos primeiros tempos tudo é fascinante e belo. Não há melhor do que viver assim e fazer da vida um jogo em que sentimos que podemos controlar tudo e todos. As nossas mãos imploram uma rédia. Mas quando por vezes reflectimos, por termos batido com a cabeça, que essa sim é uma reflecção ,vemos as coisas de maneira diferente. À medida que vamos reflectindo e vamos tomando consciência que estamos num caminho bidirecional, a tendência é para nos querermos aproximar cada vez mais do outro lado, para que possamos encontrar um equilíbrio. Queremos sentir o que se sente quando se abranda.

Não queremos parar, queremos antes ir parando!

Pergunto-me, depois de reflectir, se haverá o travão perfeito!?

É um jogo perigoso que queremos arriscar a jogar mesmo sabendo que as garantias de uma sobrevivência saudável são poucas ou nenhumas. Dá-mos gozo saber que vamos ficar marcados. Agora não sei se continue fascinado pelas pessoas que geralmente se fecham ou se me revolte por não ser capaz de admitir um fracasso de vez em quando. Mas se o admitisse seria deitar por terraa possibilidade de um dia mais tarde poder chegar onde quero.

Todos nós somos um espelho.

Não é amor, é paixao!

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Written by meph

Julho 20, 2007 às 2:40 am

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