Made In Heaven

A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista.

Equilíbrio


Hoje em dia é tão fácil perder a cabeça. Jogar ao alto tudo em que se acredita e seguir os instintos. Seguir o cheiro e suar sem ter corrido. É cada vez mais fácil deixar a natureza operar.
É mais fácil pensar que é passageiro, temporário. Vai deixar saudades, mas é diferente. É como que uma espécie de massacre. Tens a música lá fora e o espaço é pequeno cá dentro. Vais desencantar tudo e mais alguma coisa para que pareça que estás lá fora, mas que nunca deixaste de estar cá dentro. Adoras essa sensação, porque no fundo sabes que oportunidades não te faltam. E assim, tanto te fortaleces enquanto esperas pelas próximas, como quando elas chegarem tu estás pronto e receptivo.
Há toda uma lista de vantagens, quando te orientas no tempo, no espaço, por outros pontos que não os comuns. Aguça a sensação de liberdade. E mais se intensifica, quando tens outros gostos, quando a tua onda é outra que não a de toda a gente. Dá gozo remar contra a maré e ir vendo que te afastas cada vez mais, por um caminho que tão poucos têm coragem de seguir.
Depois há um tempo em que te bate à porta um balanço do que perdeste e do que ganhaste. Não fizeste muita coisa, fizeste muita coisa. Ganhaste muito, perdeste muito. És viciado em facas que cortem dos dois lados, e não consegues deixar de ficar triste porque perdeste muito, embora tenhas ganho outro tanto, nem consegues deixar de te alegrar porque ganhaste muito, porque perdeste muito também. Adoptas uma postura fria, idealista e notas que estás sózinho. Que és livre demais para a natureza que tens. Então começas a dar-te mais aos outros. De coração, um todo, porque é a única forma de não perderes mais do que já perdeste e ganhares mais do que já ganhaste. És aquele amigo que diz na cara aquilo que os outros dizem nas costas. Aquilo que os outros não têm coragem de dizer, é a palavra que reina da tua boca pra fora. És aquele que não conhecendo faz por ti o que os que te acompanham ano após ano, não fariam. És aquele que dá sem esperar nada em troca e mesmo que não te dê jeito, nunca se fica a saber, porque o que importa é que os outros sorriam, mesmo que tu te sintas no producto mais imperfeito que alguma vez se soube.
Enquanto isto, vais tomando consciencia de quem és agora, de que algo mudou e já não é tão passageiro e temporário como antes. Que é já filosofia que te caracteriza, divides-te. Apesar de teres apoio, sentes que queres estar em dois lugares ao mesmo tempo, que queres ser duas pessoas, numa só.
Por ser o relógio, o meio mais comum de orientação no tempo, a sensação de te orientares por outros pontos é melhor. Dá-te mais prazer. Vantagens mas, desvantagens também as há. Desvantagens essas que em períodos mais sensíveis, te podem levar a duvidar das tuas escolhas e a por em causa todo um trabalho solidário para com os outros. Porquê ideia tão absurda? Porque há alturas em que precisas de fazer algo por ti e não o fazes. Porque há momentos em que deixaste de se tu mesmo, para seres outro, para que outra pessoa seja ela mesma.
Nunca chegas a ter uma atitude relevante ao ponto de mudar algo em ti.
És muito exigente com os outros, e eles nem sabem. Exiges muito de ti também, mas és tão alentejano que não fazes, vais fazendo!

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Written by meph

Agosto 12, 2007 às 2:03 am

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