Made In Heaven

A humanidade não é um estado a que se ascenda. É uma dignidade que se conquista.

Archive for Junho 2008

with 10 comments

No dia a dia sem destino naquele espaço, é complicado quando somos muitos, tentar agarrrar uma ponta que não tem ponta por onde se lhe pegue. Um desafio do qual não se possa esperar nada, perdido à partida. Com poucos recursos, sem estatuto, a qualquer avanço cortam-se pernas. É impossível fazer alguma coisa assim.
Pode ser paixão pelo que se faz, pode ser não se ter mais nada pra fazer, não sei quem julga ou quem avalia isso, mas que não se desiste, não se desiste. Concerteza a força de acreditar está presente e quem corre por gosto não cansa, mas quando é por baixo que se revela esta energia, lógico que pouco ou nada resulta contra vinte anos de vícios.
A uns, cada um por si. Outros protegem com mais ou com menos coragem e o gesto marca.
Em auto-gestão neste momento. Mais complicado fica.
Depois de horas a fio sem ir a casa, a tentar salvar o mundo, quando chego sento-me e algo me diz que preciso me salvar a mim. Porque quem tem algo por que viver é capaz de suportar qualquer como. Sou assim

Anúncios

Written by meph

Junho 17, 2008 at 2:19 pm

Publicado em Uncategorized

seguindo em frente

with 5 comments

Começo por aprender a tirar a vida a qualquer um, escolhido a dedo. Vou aperfeiçoando técnicas e percebendo os esquemas de sobrevivência. Objectivo traçado, mira trancada. Acabou.
Hoje, quando não consigo salvar uma, só me lembro que a melhor coisa que o Diabo fez foi convencer o mundo de que não existe.

Written by meph

Junho 10, 2008 at 3:26 am

Publicado em Uncategorized

aprendam a roubar com categoria

with 2 comments

Written by meph

Junho 5, 2008 at 12:45 am

Publicado em Uncategorized

SAWABONA-SHIKOBA

leave a comment »

 Não é só o avanço tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista, individualidade, respeito, alegria e prazer de estar de estar junto, e não mais uma relação de dependência em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste inicio de século.
O amor româmtico parte de uma premissa que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade pra nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas caracteristicas para se amalgamar ao projecto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raíz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso o outro deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando amor de necessidade por amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sózinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de se ir reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar a sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.
A solidão é boa, ficar sózinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sózinho, niguém exige nada de niguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.
Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventálo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um dialogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes voce tem que aprender a se perdoar a si mesmo.

SAWABONA é um Cumprimento usado no sul da África. Significa “Eu te Respeito, eu te Valorizo, Você é importante pra mim”.
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é: “Então eu existo pra você”.

Flávio Gikovate
Médico Psicanalista

Written by meph

Junho 5, 2008 at 12:30 am

Publicado em Uncategorized